Quando a IA toma notas: Protegendo o privilégio, privacidade e obrigações profissionais
Introdução
As ferramentas de inteligência artificial (IA) proliferaram rapidamente no ambiente de trabalho moderno, mudando fundamentalmente a forma como advogados e outros profissionais conduzem negócios e se comunicam. Aplicativos de anotações aprimorados por IA são agora comuns em escritórios corporativos e escritórios de advocacia. Embora essas tecnologias ofereçam eficiências, muitas organizações as adotaram sem compreender completamente os riscos legais significativos que apresentam.
Riscos Legais e Éticos
Para advogados e seus clientes, talvez a preocupação mais premente seja a potencial erosão do privilégio advogado-cliente. Quando ferramentas de IA processam, armazenam ou transmitem comunicações que, de outra forma, seriam privilegiadas, elas podem inadvertidamente renunciar às proteções de confidencialidade que salvaguardam essas comunicações. Além disso, o uso de ferramentas de anotação por IA cria vastos volumes de registros comerciais potencialmente descobertos, expondo conversas sinceras que não foram historicamente registradas e aumentando a complexidade da descoberta.
Opinião da Ordem dos Advogados sobre Questões Éticas
Em 22 de dezembro de 2025, a Ordem dos Advogados de Nova York divulgou uma opinião formal sobre as obrigações éticas de um advogado ao usar aplicativos de anotações por IA. A opinião considera questões éticas fundamentais que afetam as responsabilidades profissionais dos advogados, independentemente da jurisdição.
A obrigação de lealdade do advogado exige que não se envolvam em condutas que envolvam desonestidade, fraude ou engano. Isso exige que um advogado obtenha o consentimento do cliente ao usar dispositivos de gravação. Os advogados também devem aderir ao dever de confidencialidade ao usar programas de anotações por IA e devem considerar as salvaguardas de privacidade e segurança em vigor.
Litígios Relevantes
O caso “In re Otter.AI Privacy Litigation” ilustra os riscos de confidencialidade que podem surgir. Este caso se origina de uma ação judicial contra um aplicativo de anotações por IA, onde se alega que o aplicativo grava e transcreve conversas sem o devido consentimento.
Outra decisão, “United States v. Heppner”, aborda se documentos criados usando uma plataforma de IA são protegidos pelo privilégio advogado-cliente. O tribunal rejeitou as alegações de privilégio, levantando preocupações sobre a confidencialidade.
Considerações Práticas
Os advogados devem abordar aplicativos de anotações por IA com cautela e salvaguardas abrangentes:
- Obter consentimento dos clientes: Os advogados devem informar os clientes sobre o uso de ferramentas de anotações por IA e abordar preocupações antes de seu uso.
- Revisar todas as saídas das ferramentas de IA: Todas as notas e resumos devem ser revisados por advogados para garantir precisão.
- Estabelecer políticas internas claras: As organizações devem desenvolver políticas que governem o uso de ferramentas de anotações por IA, incluindo procedimentos de verificação para garantir a precisão.
Conclusão
À medida que a tecnologia de IA continua a evoluir, é essencial que os advogados permaneçam vigilantes em entender como essas informações funcionam e quais medidas de proteção existem para preservar a confidencialidade e o privilégio. A conscientização sobre as implicações legais e éticas do uso de ferramentas de anotações por IA é fundamental para garantir a conformidade com as obrigações profissionais.