AI e Direitos Autorais: Recomendações da Câmara dos Lordes antes do relatório de consulta do governo
Em 6 de março, a Câmara dos Lordes publicou seu relatório sobre AI, Direitos Autorais e as Indústrias Criativas. Este relatório, de uma Comissão Parlamentar altamente influente, tem como objetivo contribuir para o trabalho contínuo do governo sobre direitos autorais e AI, além de explorar as questões levantadas na consulta do governo do ano passado sobre o assunto.
Recomendações da Comissão
1. Descartar uma exceção comercial de TDM com modelo de opt-out.
A Comissão não foi convencida de que a legislação atual sobre direitos autorais no Reino Unido é incerta ou que a cópia de obras protegidas deve ser caracterizada como “aprendizado”. A recomendação é que o governo descarte a introdução de quaisquer exceções para o uso de obras protegidas no treinamento de modelos de AI e se concentre no fortalecimento da licenciamento, transparência e aplicação dentro da estrutura existente. A Comissão sugere que o governo publique uma decisão final sobre sua abordagem em relação aos direitos autorais e AI nos próximos 12 meses.
2. Fechar lacunas na proteção contra imitação de estilo e identidade digital.
A Comissão identificou a produção de AI generativa “no estilo de” um artista como uma área onde pode ser necessária uma mudança legislativa, já que o Reino Unido não possui um direito de personalidade específico ou proteção para a semelhança digital. A recomendação é que o governo introduza proteções contra réplicas digitais não autorizadas e usos “no estilo de”.
3. Tornar a transparência uma obrigação legal.
A Comissão constatou que a transparência granular sobre as obras individuais utilizadas para treinar modelos de AI é necessária, mas os desenvolvedores se opõem, citando barreiras técnicas e sensibilidade comercial. A recomendação é que o governo estabeleça um quadro de transparência claro e obrigatório.
4. Promover o desenvolvimento de padrões técnicos.
A Comissão acredita que mecanismos eficazes de reserva de direitos serão essenciais em qualquer regime de licenciamento. Recomenda-se que o governo apoie a criação e adoção de padrões abertos e interoperáveis para a reserva de direitos e rotulagem, liderados pela indústria.
5. Criar condições para um mercado de licenciamento justo e inclusivo no Reino Unido.
A evidência apresentada à Comissão indica que um mercado de licenciamento está emergindo, e a Comissão vê uma oportunidade significativa para o Reino Unido se posicionar como líder global no desenvolvimento responsável de AI.
Implicações e Riscos
Um dos aspectos mais significativos do relatório da Câmara dos Lordes é que a Comissão afirmou que a legislação atual sobre direitos autorais não é incerta e que a realização e processamento de cópias digitais de obras protegidas para treinamento de modelos de AI deve ser avaliada sob princípios normais de direitos autorais. A Comissão destaca que a chamada dos desenvolvedores de AI para introduzir uma exceção de TDM indica que o setor de AI não considera o treinamento claramente coberto por quaisquer exceções atuais.
Conclusão
Será interessante observar até que ponto o governo considera as recomendações da Comissão ao publicar seu relatório sobre direitos autorais. Um passo simples seria seguir o pedido da Comissão e estabelecer um cronograma para a publicação de uma decisão final sobre direitos autorais e AI nos próximos 12 meses.