Paris Hilton se une à luta contra deepfakes sexuais gerados por IA
Um vídeo íntimo divulgado sem o consentimento de uma pessoa ajudou a tornar essa figura pública conhecida no início dos anos 2000. Recentemente, essa pessoa comparou a situação que enfrentou à crescente crise de pornografia deepfake gerada por inteligência artificial (IA), que atualmente atinge mulheres e meninas em todo o mundo.
O problema dos deepfakes sexuais
Nas últimas semanas, reguladores globais têm abordado urgentemente uma onda crescente de deepfakes sexuais que atacam mulheres e menores sem seu consentimento. Um chatbot gerado por uma empresa de tecnologia esteve no centro da controvérsia, produzindo centenas de milhares de imagens que “despiram” mulheres reais e, em alguns casos, meninas. Apesar das medidas tecnológicas implementadas para prevenir esses abusos, pesquisadores descobriram que essas salvaguardas poderiam ser contornadas.
Essa figura pública declarou que a pornografia deepfake se tornou uma epidemia, caracterizando-a como a mais nova forma de vitimização em larga escala, afetando filhas, irmãs, amigas e vizinhas. Ela destacou como perdeu o controle sobre seu corpo e reputação devido ao ocorrido em 2004, ressaltando a falta de leis de proteção na época.
A defesa por justiça
Agora, essa figura pública deseja usar sua história para ajudar outras mulheres e meninas que estão sendo exploradas online por abusadores que utilizam ferramentas de IA. Por isso, se uniu a membros do Congresso dos EUA para defender o projeto de lei conhecido como DEFIANCE. Este projeto, que foi aprovado de forma unânime no Senado, visa proporcionar um caminho legal para que vítimas de deepfakes gerados por IA possam processar seus abusadores.
Ela enfatizou que esta questão não se trata apenas de tecnologia, mas de poder, mencionando que o uso da imagem de alguém para humilhar e despojar sua dignidade é uma ofensa grave. A figura pública também revelou que foi alvo de 100.000 deepfakes sexualizados gerados por IA, todos sem seu consentimento.
Legislação e proteção
O projeto DEFIANCE surge após a promulgação da lei TAKE IT DOWN, a primeira lei federal dos EUA que limita o uso de IA de maneiras que podem ser prejudiciais a indivíduos. Esta lei requer que plataformas online removam imagens íntimas não autorizadas e deepfakes quando notificadas, com efeito a partir de maio de 2026.
O projeto DEFIANCE permitirá que sobreviventes processem indivíduos que produzem, distribuem ou recebem forjamentos digitais sexualmente explícitos não consensuais. Na Europa, legislações como a Lei de Serviços Digitais e a Lei de IA oferecem alguma proteção contra deepfakes, exigindo que plataformas rotulem conteúdo gerado por IA, embora a pornografia deepfake não seja abordada explicitamente.
Países como França, Dinamarca e Reino Unido já aprovaram leis que protegem vítimas de deepfakes sexuais, impondo multas pesadas e até penas de prisão para os distribuidores de deepfakes não consensuais.