Oportunidade de Melhorar a Lei de IA – A UE Aproveitará o Momento?
A União Europeia busca simplificar seu extenso quadro regulatório digital e garantir que a inovação não seja impedida por regras desnecessariamente complexas ou onerosas. Como parte desse esforço, a Comissão Europeia apresentou um Omnibus Digital sobre IA, que altera e simplifica certos elementos da Lei de Inteligência Artificial (IA) da UE. O objetivo é assegurar que a Lei de IA seja praticamente aplicável, legalmente clara e proporcional, mantendo um alto nível de proteção dos direitos fundamentais e da segurança do consumidor.
Contexto e Propostas
Dentro da UE, há uma crescente consciência de que um excesso de encargos regulatórios prejudica a competitividade. Nesse contexto, a Comissão propõe, entre outras coisas, prazos estendidos para a aplicação de disposições relativas a sistemas de IA de alto risco, regras mais flexíveis para o processamento de dados no desenvolvimento de sistemas de IA e requisitos de conformidade simplificados para pequenas empresas. O objetivo geral é reduzir custos administrativos e criar condições mais favoráveis à inovação.
Posições da Confederação de Empresas Suecas
- A data de aplicação das regras referentes a sistemas de IA de alto risco é extremamente crítica e deve ser tratada separadamente.
- A falta de uma delimitação clara do que constitui IA de alto risco cria incertezas legais significativas. A regulamentação deve ser baseada em riscos reais, em vez de tecnologias ou setores específicos.
- A exigência de alfabetização em IA deve ser removida, pois a intervenção legislativa não é necessária para que as empresas assegurem o manuseio e uso apropriados dos sistemas de IA dentro de suas organizações.
- A possibilidade de processar categorias especiais de dados pessoais é necessária e justificada na prática, por exemplo, para fins de mitigação de viés; no entanto, a proposta atual não é suficiente para produzir um efeito substancial na prática.
- A capacidade de testar sistemas de IA em condições do mundo real é essencial para a inovação, gerenciamento eficaz de riscos e adaptação de sistemas, devendo, portanto, se aplicar a todos os sistemas de IA, não apenas àqueles testados em ambientes regulatórios.
- Simplificações administrativas são bem-vindas, mas os requisitos regulatórios devem ser projetados de tal forma que todas as empresas, independentemente de seu tamanho, possam cumpri-los. Isso é essencial para garantir um campo de jogo nivelado e evitar barreiras que inibam o crescimento. Exceções também podem criar desafios nas cadeias de suprimento, especialmente quando subcontratados estão sujeitos a requisitos de documentação simplificados.
- Requisitos regulatórios sobrepostos — como aqueles relacionados a organismos notificados e obrigações de documentação em diferentes instrumentos legislativos — precisam ser abordados e simplificados.
Conclusão
A Confederação de Empresas Suecas considera o Omnibus Digital da UE sobre IA um primeiro passo em direção a um quadro regulatório mais previsível e menos burocrático, capaz de fortalecer a competitividade. Para as empresas suecas, é crucial que a UE aproveite agora essa oportunidade para abordar lacunas importantes na Lei de IA e garantir que ela seja proporcional, neutra em relação à tecnologia e baseada em requisitos e prazos claros, fundamentados em riscos, que tornem a conformidade viável na prática.