Será que Connecticut aprovará a legislação sobre IA este ano?
Quando os legisladores de Connecticut saíram do Capitólio estadual ao final da sessão de 2025, deixaram negócios inacabados, particularmente em torno do plano do estado para regular o uso de inteligência artificial pelas empresas, garantindo a privacidade dos dados e estabelecendo proteções ao consumidor em relação a tecnologias emergentes.
Por dois anos consecutivos, os legisladores não conseguiram concordar sobre a direção da política de IA do estado, com os senadores favoráveis à regulação e a administração do governo mais cautelosa, discordando sobre o melhor caminho a seguir.
Nos meses desde então, a questão do que Connecticut deve fazer em relação à IA tornou-se ainda mais urgente. O governo anterior emitiu uma ordem executiva em dezembro na esperança de desencorajar os estados de regulamentar a tecnologia. Enquanto isso, um número crescente de empresas está incorporando inteligência artificial em suas operações, e os investimentos no mercado global de IA atingiram centenas de bilhões de dólares.
Análise da situação atual
Os legisladores favoráveis à regulação propuseram uma série de novas medidas, argumentando que as salvaguardas para essa tecnologia em rápida mudança fornecerão a proteção necessária aos cidadãos preocupados com a perda de privacidade e a proteção da propriedade intelectual. Os opositores afirmam que a lista crescente de “fazeres e não fazeres” relativos à IA pode prejudicar as economias locais, dificultando a adoção da tecnologia e incentivando empresas de tecnologia e negócios focados em inovação a se mudarem para mercados mais favoráveis.
O debate em Connecticut ocorre enquanto os oficiais de desenvolvimento econômico do estado lançam múltiplos esforços para investir em inteligência artificial e tecnologias emergentes, comparando a iniciativa a uma segunda revolução industrial.
Desafios da regulamentação da IA
A Assembleia Geral de Connecticut apresenta um histórico misto na aprovação de medidas relacionadas à IA. Nos últimos anos, os legisladores aprovaram várias propostas, incluindo regulamentos de privacidade de dados, novo financiamento para programas de treinamento e educação em IA, e a criminalização do uso de “deepfake” de vingança.
Os esforços para aprovar uma legislação abrangente têm sido mais difíceis. Um exemplo é o Projeto de Lei do Senado 2, uma proposta que buscava regular como as empresas usam inteligência artificial em várias frentes, pedindo ao Departamento de Desenvolvimento Econômico e Comunitário que criasse um “sandbox regulatório” e buscando limitar os efeitos da discriminação baseada em algoritmos.
Embora a proposta tenha recebido apoio da liderança democrata no Senado estadual, acabou sofrendo alterações para remover muitas disposições relacionadas a negócios e referências à discriminação algorítmica. Apesar de aprovação no Senado com apoio bipartidário, a medida não recebeu votação na Câmara antes do final da sessão do ano passado.
Implicações para o futuro
Os legisladores pretendem continuar seus esforços neste ano para “proteger, promover e capacitar”, planejando um pacote de reformas de privacidade de dados e proteção ao consumidor, junto com apoio para treinamento em IA e desenvolvimento da força de trabalho. Já foi anunciado um projeto de lei para proibir o uso de software de reconhecimento facial em lojas de varejo.
Enquanto isso, um porta-voz do governo expressou a intenção de focar em regulamentos que “protejam a privacidade e a segurança dos residentes de Connecticut”. Legisladores favoráveis à regulação da IA e à privacidade afirmam que seus esforços buscam garantir que os residentes possam interagir com a inteligência artificial em seus próprios termos.
Por outro lado, líderes empresariais manifestam preocupações de que novas políticas de IA possam prejudicar a inovação e a competitividade do estado, especialmente em um momento de economia estagnada e custos crescentes para as empresas.
Conclusão
À medida que os legisladores de Connecticut trabalham para abordar essas questões, o governo federal também busca influenciar os esforços estaduais em IA. A ordem executiva emitida pelo governo anterior adverte os estados contra a regulamentação da IA, argumentando que uma rede complexa de regulações poderia afetar negativamente o comércio interestadual.
Em Connecticut, os legisladores acreditam que, na ausência de liderança federal, cabe aos estados estabelecer limites para as tecnologias de inteligência artificial. Eles afirmam que esperar mais para regulamentar pode resultar em erros semelhantes aos cometidos com a regulamentação da internet há 30 anos.