Do risco de desastres à segurança alimentar: A ONU pressiona por IA centrada nas pessoas na Cúpula Global
No dia 16 de fevereiro, a Cúpula de Impacto da IA 2026 foi inaugurada em Nova Délhi, reunindo líderes mundiais, ministros, pesquisadores e especialistas em tecnologia para discutir como a inteligência artificial pode promover o desenvolvimento inclusivo e o progresso sustentável. Espera-se que mais de 20 chefes de Estado, mais de 60 ministros e mais de 500 especialistas globais em IA participem do evento de cinco dias.
IA e cooperação global
Em entrevista no dia de abertura, o enviado especial da ONU para Tecnologias Digitais e Emergentes destacou que a realização da cúpula no Sul Global reflete os esforços para ampliar a participação na formação do futuro da inteligência artificial. Ele afirmou que o encontro representa um passo importante em direção à tomada de decisões relacionadas à IA mais inclusivas. O Primeiro Diálogo Global sobre Governança da IA, agendado para julho de 2026, proporcionará às nações a oportunidade de trabalhar juntas em abordagens políticas.
A ONU propôs um fundo global voluntário de até US$ 3 bilhões para apoiar quase 90 países em risco. Além disso, um painel científico internacional de 40 membros sobre IA foi estabelecido para monitorar desenvolvimentos e impactos, emitindo relatórios baseados em evidências para informar governos, empresas e a sociedade.
Foi ressaltado que a inteligência artificial tem o potencial de trazer mudanças significativas em áreas como agricultura, educação, indústria e ação climática. As aplicações de IA podem ajudar a identificar fontes de emissões, melhorar a eficiência energética e aprimorar o planejamento de infraestrutura. No entanto, o aumento rápido dos sistemas de IA também eleva a demanda por energia, água e outros recursos, especialmente para os centros de dados. O uso ético da IA, com supervisão humana e estruturas de governança robustas, é fundamental para evitar riscos, incluindo a disseminação de desinformação.
IA e preparação para desastres
O papel da inteligência artificial na redução de riscos de desastres também foi destacado na cúpula. Um representante da ONU afirmou que a IA pode melhorar significativamente a capacidade de antecipar perigos e identificar áreas e populações vulneráveis, permitindo medidas de preparação e alívio em tempo hábil. Sistemas de previsão de inundações baseados em IA foram citados como exemplos, pois são mais rápidos e precisos do que os métodos tradicionais.
IA e igualdade de gênero
Durante uma sessão de alto nível sobre gênero e tecnologia, foram levantadas preocupações sobre os riscos crescentes que as mulheres enfrentam em um ambiente digital em rápida evolução. A necessidade de fortes salvaguardas éticas na inteligência artificial foi enfatizada para garantir a segurança e proteger os direitos das mulheres.
O lançamento de um livro de casos de IA sobre Gênero e Agricultura destacou lacunas estruturais no design da IA. Foi alertado que uma “lacuna de design persistente” permanece globalmente, com menos mulheres envolvidas na construção de sistemas de IA, resultando em produtos que refletem menos suas realidades. O livro apresenta 23 soluções de IA que demonstram impacto de gênero mensurável, design ético e replicabilidade global.
IA e preparação regulatória
A prontidão institucional foi outro foco da cúpula. Um relatório de metodologia de avaliação de prontidão em IA foi lançado em parceria com o governo. O relatório destaca a forte base de talentos em IA do país, um ecossistema de inovação vibrante e iniciativas de IA multilíngues, identificando ações prioritárias, incluindo o fortalecimento da supervisão legal e ética.
IA e saúde pública
As aplicações de inteligência artificial na saúde também foram apresentadas durante a cúpula. Um compêndio de casos de uso de IA na saúde foi desenvolvido, mostrando como trabalhadores da saúde em todo o mundo estão sendo equipados com ferramentas de apoio à decisão para melhorar o atendimento e equalizar o acesso à saúde.
IA e segurança alimentar
A segurança alimentar também foi um tema central na cúpula, com soluções tecnológicas e de inteligência artificial apresentadas para fortalecer sistemas alimentares e fechar lacunas nutricionais. A cúpula incluiu a premiação das três melhores ideias de um hackathon focado em soluções para desafios nutricionais, utilizando IA para oferecer soluções adaptadas localmente.
Esses tópicos discutidos na cúpula sublinham a importância de uma abordagem centrada nas pessoas ao desenvolver e implementar tecnologias de inteligência artificial, buscando promover um futuro mais inclusivo e sustentável.