O Hiato na Governança de IA da Estônia
A Estônia conquistou uma reputação global em governança digital, mas essa reputação está em risco, uma vez que seu novo comitê consultivo de IA revela uma notável ausência de especialização multidisciplinar, supervisão ética e diversidade.
Formação do Comitê Consultivo de IA
Em 27 de janeiro, foi anunciada a formação de um comitê consultivo de IA para orientar a política governamental sobre inteligência artificial. Sua composição é formada por cinco homens: três empreendedores, um capitalista de risco e uma figura da área de TI cuja relevância já foi maior. Nenhum membro possui experiência significativa na construção ou pesquisa de sistemas de IA. Além disso, não há mulheres, nem especialistas em ética, sociólogos, acadêmicos de direito ou representantes das comunidades vulneráveis que serão profundamente afetadas por essa tecnologia.
Riscos de uma Governança Restrita
Este não é apenas um desperdício de recursos públicos em mais um conselho consultivo; trata-se do ativo mais valioso da Estônia: seus dados públicos digitalizados. Décadas de transformação digital colocaram o país em uma posição invejável, mas essa vantagem se esvai se a autoridade política for entregue a um grupo restrito sem a expertise necessária para gerenciá-la de maneira responsável.
Um dos membros do comitê coescreveu recentemente um artigo identificando questões sociais complexas que demandam supervisão ética e multidisciplinar. Ele descreve cenários sobre como a IA pode remodelar a economia e o contrato social, revelando que essas questões não são meramente técnicas, mas fundamentais para tributação, desigualdade e estabilidade social.
A Necessidade de Diversidade na Governança de IA
A governança da IA não deve ser vista apenas como um projeto de TI, mas como uma questão relacionada ao novo modelo econômico. A implementação da IA requer vozes diversas, não um pensamento unificado. Questões como quem se beneficia da eficiência e quem arca com os riscos precisam ser discutidas por um grupo mais amplo que inclua economistas, sociólogos e especialistas em ética.
Países que levam a sério a governança de IA reconhecem que a supervisão eficaz exige expertise multidisciplinar. Modelos globais demonstram que a governança da IA deve incluir especialistas além dos tradicionais nomes da indústria tecnológica.
Conclusão
A composição deste comitê consultivo de IA não é apenas inadequada; é embaraçosa. A Estônia possui a expertise necessária, mas a falta de diversidade e conhecimento especializado na formação do comitê levanta sérias questões sobre o futuro da governança digital e a proteção dos dados públicos. É imprescindível que a Estônia se engaje de maneira séria e abrangente com os desafios da IA, garantindo que a tecnologia beneficie a sociedade como um todo.