Testemunhas do Congresso dividem-se sobre a regulamentação da IA; leis estaduais enfrentam dificuldades
Organizações que navegam pela regulamentação da IA por meio de um emaranhado de leis estaduais não estão sozinhas em sentir a pressão. O Congresso ouviu depoimentos indicando que essas leis podem estar sendo violadas.
Desafios das leis estaduais de IA
Testemunhas apontaram que a legislação estadual apressada está criando um “ambiente regulatório cada vez mais inviável” para os empregadores. Um exemplo citado foi a Lei de IA do Colorado, que precisou ser corrigida logo após sua assinatura. A lei, que deveria entrar em vigor no início de 2025, foi adiada até junho de 2026 e pode enfrentar novos atrasos.
A lei de IA da cidade de Nova York, que entrou em vigor em julho de 2023, também foi criticada por ser ineficaz, com apenas duas queixas registradas em um período de auditoria de dois anos.
Leis existentes podem ser suficientes
Uma testemunha defendeu que os EUA já possuem um “quadro legal bem estabelecido” capaz de lidar com a maioria dos comportamentos inadequados relacionados à IA, citando leis como o Título VII da Lei dos Direitos Civis e a Lei de Normas Trabalhistas Justas. Ela argumentou que, em sua experiência, nunca encontrou empregadores usando IA para interferir em atividades sindicais.
Considerações sindicais
Outra testemunha contestou essa posição, mencionando casos em que empresas usaram ferramentas baseadas em IA para identificar atividades sindicais. Ela também destacou o uso de chatbots de IA para substituir funcionários sindicalizados.
Falta de dados sobre o impacto da IA no trabalho
Um economista do trabalho destacou que as agências federais carecem de dados sobre como a IA está moldando o trabalho. A pesquisa atual conta empregos, mas não mede como o trabalho é realizado. Ela recomendou adicionar um suplemento de IA às pesquisas federais para capturar como os trabalhadores utilizam a IA e se isso alterou suas tarefas.
Gestão algorítmica já é comum
Outra testemunha apresentou um quadro diferente da adoção da IA, citando que 90% dos empregadores nos EUA usam ferramentas de gestão algorítmica, que permitem uma vigilância mais invasiva do que a que um gerente humano poderia realizar.
Ela mencionou práticas de monitoramento que podem pressionar os trabalhadores a não fazer pausas necessárias, o que pode penalizar aqueles com necessidades especiais.
Transparência nas decisões relacionadas ao emprego
Foi alegado que muitos empregadores usam ferramentas de IA para recrutamento e triagem, mas esses sistemas frequentemente carecem de transparência, dificultando que os trabalhadores compreendam como as decisões que afetam suas vidas estão sendo feitas.
Proteções para trabalhadores
Várias testemunhas reconheceram que as leis de emprego existentes só funcionam se houver recursos para aplicá-las, ressaltando a necessidade de que as agências de proteção ao trabalhador possam contratar especialistas que compreendam os dados.
Governança ou restrições gerais?
Um advogado concordou que transparência e aceitação dos trabalhadores são críticas, mas argumentou que a “autogestão robusta” através de controles internos pode ser mais eficaz do que restrições gerais.
Conclusão
A audiência não anunciou os próximos passos sobre a possível legislação federal sobre IA no local de trabalho. A necessidade de colaboração bipartidária foi enfatizada, com um membro do Congresso alertando que a história mostra que os trabalhadores não se beneficiam na mesma medida que os investidores.