A Nova Lei de IA da Califórnia e o Problema Real de Conformidade
Nos últimos dez anos, empresas de IA na vanguarda operaram a todo vapor, com poucas restrições. Embora regulamentações tenham sido frequentemente especuladas, sua implementação foi lenta, criando um ambiente em que a conformidade era uma promessa que os desenvolvedores nunca precisaram cumprir.
Entretanto, uma nova lei da Califórnia, assinada em setembro de 2025, estabelece regras claras para os desenvolvedores de IA. A Lei de Transparência em Inteligência Artificial na Fronteira (TFAIA) delineia um quadro regulatório que, segundo o escritório do governador, visa “construir a confiança pública enquanto continua a estimular a inovação nessas novas tecnologias”. Mesmo empresas que não treinam modelos diretamente sentirão o impacto, pois os fornecedores em que confiam estarão sujeitos aos mesmos padrões.
Uma Mudança de Rumo para Desenvolvedores na Fronteira
Quando preocupações sobre conformidade em IA eram levantadas no passado, o foco estava principalmente nos casos de uso. A TFAIA muda essa abordagem, mirando no potencial em vez do uso. A principal preocupação da lei não é onde a IA será utilizada, mas quanta potência ela traz para uma aplicação.
Os desenvolvedores de IA que operam em níveis de computação avançados enfrentarão supervisão regulatória antes que seus modelos sejam lançados. Aqueles cujos modelos excedem o limite de potência computacional estabelecido pela TFAIA — definido como mais de 1026 operações de ponto flutuante — devem implementar estruturas que protejam contra sistemas que possam causar danos catastróficos.
Uma Chamada para Operacionalizar a Ética em IA
A lei sinaliza que é hora de retornar à discussão sobre ética, exigindo mais do que simples diálogos. A conformidade requer que as empresas integrem a ética em seus processos operacionais. A TFAIA exige que cada desenvolvedor de IA na Califórnia crie e publique um quadro de IA na Fronteira que explique como estão gerenciando e mitigando os riscos associados a seus modelos.
Além disso, quando surgirem problemas, os desenvolvedores devem relatá-los. A lei exige que aqueles que experimentarem um “incidente crítico de segurança” alertem as autoridades competentes. A falha em relatar pode acarretar penalidades civis, e os denunciantes estão protegidos pela lei.
Cultivando uma Cultura de Conformidade por Design
As expectativas para os desenvolvedores na vanguarda são altas. A governança eficaz sob a nova lei requer mais do que simples memorandos de política. A conformidade deve ser parte da cultura organizacional, com um foco intenso na responsabilidade.
As empresas devem adotar uma abordagem proativa em relação à segurança e à ética, testando e comprovando que o poder gerado pode ser controlado antes de ser liberado. A transparência é crucial: o uso pretendido, limitações conhecidas e riscos avaliados não podem ser ocultados.
A TFAIA coloca a ética da IA no centro do debate, exigindo que os desenvolvedores assumam a responsabilidade pelo poder que criam, criando culturas que valorizem tanto a inovação quanto a responsabilidade.