Em profundidade: Colocar IA na sua agenda de riscos, dizem empresas
Relatórios de advogados citando casos gerados por IA e colocando detalhes de clientes em sistemas de IA generativa chamaram a atenção dos reguladores e dos tribunais. As seguradoras também estão atentas a esses relatos, e, à medida que os escritórios de advocacia renovam seu seguro de responsabilidade profissional, as repercussões são impossíveis de ignorar.
Um proprietário de escritório comentou sobre o número de perguntas no formulário de renovação deste ano sobre o uso de IA. Eles queriam saber sobre políticas, planos de risco e o que os funcionários estavam fazendo com a tecnologia. Isso levanta a questão: a profissão realmente compreendeu que isso deve ser gerenciado e supervisionado?
No ano passado, um juiz do Tribunal Superior afirmou que advogados envolvidos na utilização de citações de casos falsas demonstraram comportamento profissional deplorável. Recentemente, dois advogados de imigração foram referidos à Autoridade de Regulação de Advogados por aparentemente usar IA generativa para criar casos irrelevantes ou falsos. Um deles admitiu ter colocado e-mails do governo com detalhes dos clientes em um sistema de IA para tentar explicá-los.
O estado atual do uso de IA nos escritórios de advocacia
Em uma conferência sobre riscos e conformidade, 14% dos delegados concordaram que a IA era permitida, mas em grande parte não gerenciada. Em outra sessão, quase metade afirmou que a responsabilidade pelo gerenciamento do uso de IA recaía sobre os advogados individuais, enquanto apenas 24% acreditavam que isso era papel do parceiro supervisor ou gerente.
Os especialistas em seguros e conformidade concordam que a IA é agora um componente importante na avaliação do perfil de risco de um escritório de advocacia. Os seguradores estão buscando respostas claras sobre o uso de IA, ao invés de termos vagos como experimentar com a tecnologia.
Expectativas das seguradoras
As seguradoras desejam saber sobre três aspectos principais: a precisão do trabalho realizado, a segurança dos dados e as precauções adotadas. Elas querem entender onde está o elemento humano de verificação e segurança. O mercado de seguros ainda está em fase de descoberta.
Espera-se que a Autoridade de Regulamentação de Advogados publique novas diretrizes sobre o uso seguro e conforme da IA nas próximas semanas. Isso deverá ajudar a esclarecer as regras relacionadas a ferramentas generativas, mas também deixar claro que a confidencialidade e o privilégio do cliente, assim como o consentimento do cliente, permanecem inegociáveis. O uso de IA não transfere a responsabilidade dos advogados em manter essas normas, e os escritórios permanecem totalmente responsáveis pela qualidade, precisão e adequação dos serviços que prestam.
Conclusão
Os especialistas afirmam que a chave para satisfazer as seguradoras é garantir que os fundamentos estejam corretos e que haja clareza sobre como os riscos são gerenciados. Algumas empresas podem se deixar levar pela inovação sem primeiro estabelecer uma estrutura de risco eficaz e robusta. A política de IA deve ser uma parte da agenda da equipe de risco e deve envolver a contribuição do responsável pela conformidade regulatória.