Framework de segurança de IA: como escolher em 2026

Escolher um framework de segurança de IA antes de uma auditoria ao abrigo do AI Act ou da ISO/IEC 42001 tornou-se um exercício de triagem: há mais de quinze referenciais no mercado e cada fornecedor apresenta o seu. Comparamo-los em quatro famílias que respondem a quatro perguntas diferentes e terminamos com uma regra de seleção por papel do operador e a lista das provas que um auditor aceita.

Cadeado de latão pousado numa pequena pilha de três livros de registo encadernados a tecido, sobre uma secretária cor de terracota: um framework de segurança de IA

O essencial

  • «Que framework?» é a pergunta errada: a lei diz o que provar, os catálogos o que testar, os controlos o que evidenciar, os modelos de responsabilidade quem detém o quê.
  • Qualquer framework de segurança de IA deve ser mapeado contra as seis classes de ataque do artigo 15.º do AI Act.
  • Outubro de 2026 mudou a resposta: ISO/IEC 27090 publicada, EN 18286 citada no Jornal Oficial, inquérito da prEN 18282 concluído.
  • Na indústria, só a CSA AICM e o DASF mapeiam controlo a controlo o AI Act e a ISO/IEC 42001.
  • Um produto com elementos digitais pode cumprir a cibersegurança do artigo 15.º pela via do Regulamento de Ciber-Resiliência (CRA).

O que é um framework de segurança de IA (e o que não é)

Chamamos framework de segurança de IA a um conjunto nomeado e versionado de ameaças, controlos ou responsabilidades para proteger um sistema de IA (dados, modelo, pipeline, aplicação, agentes), contra o qual um terceiro pode verificar o trabalho feito. Há quatro famílias, cada uma com a sua pergunta:

  • <b>O que provar:</b> a lei (artigos 15.º e 55.º do AI Act, Regulamento de Ciber-Resiliência ou CRA).
  • <b>O que testar:</b> os catálogos de ameaças (MITRE ATLAS, OWASP, NIST AI 100-2).
  • <b>O que evidenciar:</b> os conjuntos de controlos (CSA AICM, DASF, ISO/IEC 42001, ISO/IEC 27090, overlays do NIST, ETSI EN 304 223, ENISA).
  • <b>Quem detém o quê:</b> a orientação de arquitetura e responsabilidade (SAIF, CoSAI, AWS, Microsoft).

A nossa leitura: um referencial por família, mapeado uma única vez. Comparar o SAIF com o artigo 15.º é comparar uma planta com um caderno de encargos.

Um framework de segurança de IA não é um produto de AI security posture management (AI-SPM), que é uma categoria de ferramenta. Também não é um framework de safety: em português, «segurança» cobre as duas palavras inglesas, e embora a Cisco tenha defendido, a 16 de dezembro de 2025, que security e safety são inseparáveis, o AI Act trata-as em artigos distintos. Nem é o quadro de governação de IA, do qual é uma peça, nem toda a disciplina da segurança da IA.

O mapa de 2026: os frameworks numa tabela

Dezoito referenciais que surgem quando se procura um framework de segurança de IA, nas versões de outubro de 2026.

FrameworkEntidadeFamíliaÚltima versão (data)DimensãoCorrespondência com lei ou norma
AI Act, artigo 15.ºUnião EuropeiaLeiRegulamento (UE) 2024/1689; anexo III a 2 de dezembro de 2027, anexo I a 2 de agosto de 2028um artigo, seis classes de ataque nomeadasé a lei
Regulamento de Ciber-Resiliência (CRA)União EuropeiaLeiRegulamento (UE) 2024/2847; notificação desde 11 de setembro de 2026, aplicação plena a 11 de dezembro de 2027requisitos essenciais do anexo Iartigo 12.º, n.º 1: dá por cumprida a cibersegurança do artigo 15.º
prEN 18282CEN-CENELEC JTC 21Norma harmonizada (projeto)inquérito público de 15 de maio a 14 de julho de 2026não públicoredigida para o artigo 15.º
ISO/IEC 27090:2026ISO/IEC JTC 1/SC 27Orientaçãopublicada em outubro de 2026, 56 páginasorientação, não certificávelprova em auditorias ISO/IEC 27001 e 42001
ISO/IEC 42001:2023, anexo AISO/IEC JTC 1/SC 42Sistema de gestão certificáveldezembro de 2023controlos do anexo A (A.6.2, A.7, A.8.4, A.10.3)certificado
NIST AI RMF 1.0 e NIST AI 600-1NISTFramework de riscojaneiro de 2023, julho de 2024quatro funções, característica «secure and resilient»voluntário; mapeado pela AICM e pelo DASF
NIST Cyber AI Profile (NIST IR 8596)NIST e MITREPerfil comunitário do CSF 2.0projeto preliminar inicial, 16 de dezembro de 2025; sem projeto públicotrês áreas de foco (Secure, Defend, Thwart)CSF 2.0 e AI RMF
NIST SP 800-53 Control Overlays for Securing AI SystemsNISTOverlay de controlosdocumento de conceito, 14 de agosto de 2025; sem overlay em projetocinco overlaysSP 800-53 Rev. 5
NIST AI 100-2 E2025NISTTaxonomia de ameaças24 de março de 2025, 127 páginasduas taxonomias (IA preditiva e IA generativa)nenhuma
Guidelines for Secure AI System DevelopmentNCSC, CISA e 23 cossignatáriosOrientação de ciclo de vida27 de novembro de 2023quatro fasesnenhuma
ETSI EN 304 223ETSI (do código de prática britânico)Requisitos de baseTS em abril de 2025, EN em dezembro de 202513 princípios, 72 disposições, cinco fasesnenhuma
ENISA FAICPENISAFramework de boas práticas7 de junho de 2023três camadascooperação do considerando 78 do AI Act
MITRE ATLASMITREBase de conhecimento de ameaçasversão 2026.10 (28 de outubro de 2026)16 táticas, 129 técnicas, 92 subtécnicas, 44 mitigaçõesATT&CK
OWASP Top 10 for LLM 2026, Agentic Top 10, AI ExchangeOWASP GenAI Security ProjectListas de ameaças e guia de controlosagosto de 2026, dezembro de 2025, flagship desde março de 202510 + 10 entradas, mais de 50 controlosNIST, ATLAS, CWE; o AI Exchange contribuiu para a ISO/IEC 27090 e a prEN 18282
CSA AI Controls MatrixCloud Security AllianceConjunto de controlosv1.1, 22 de junho de 2026247 controlos, 18 domínios, AI-CAIQ com 320 perguntasISO/IEC 42001, ISO 27001, NIST AI RMF, AI 600-1, BSI AIC4, AI Act
Databricks DASFDatabricksConjunto de controlosv3.0, 20 de março de 202613 componentes, 97 riscos, 73 controlosATLAS, OWASP, SP 800-53, CSF, ENISA, ISO/IEC 42001, 27001, AI Act
Google SAIFGoogle (dados doados à CoSAI)Arquitetura e mapa de riscosSAIF 2.0, 6 de outubro de 202515 riscos, 24 controlos, três princípios para agentesnenhuma
CoSAI, AWS, MicrosoftOASIS, AWS, MicrosoftResponsabilidade partilhada e âmbitoCoSAI Shared Responsibility Framework v1.0, maio de 2026; AWS AI Security Framework, maio de 2026; modelo da Microsoft para agentes, agosto de 2026camadas, âmbitos, princípiosnenhuma (referências OWASP e ATLAS)

A tabela diz o que cada referencial é, não qual adotar: quem decide são as famílias. Na última coluna, só a AICM e o DASF, entre os referenciais da indústria, chegam ao AI Act. O Integrated AI Security and Safety Framework da Cisco (16 de dezembro de 2025, 19 objetivos de atacante, mais de 150 técnicas) ficou de fora: é uma taxonomia e pertence aos catálogos de ameaças.

Catálogos de ameaças: o que o artigo 15.º, n.º 5, manda testar

O n.º 5 do artigo 15.º do AI Act exige que um sistema de IA de risco elevado resista a terceiros não autorizados que tentem alterar a sua utilização, resultados ou desempenho, e nomeia os ataques a prevenir, detetar, responder, resolver e controlar: envenenamento de dados, envenenamento de modelos, exemplos adversariais ou evasão do modelo, ataques à confidencialidade e falhas do modelo. Com a alteração não autorizada, são seis classes, e um framework de segurança de IA tem de ser testável contra todas.

O MITRE ATLAS 2026.10 (28 de outubro de 2026) conta 16 táticas, 129 técnicas, 92 subtécnicas, 44 mitigações e 77 estudos de caso; as técnicas para agentes chegaram com a v5.0.0 (30 de setembro de 2025) e as versões são mensais desde meados de 2026.

O OWASP Top 10 para LLM 2026 (3 de agosto de 2026) vai de LLM01 Prompt Injection a LLM10 Improper Output Handling; o Agentic Top 10 (9 de dezembro de 2025), de ASI01 Agent Goal Hijack a ASI10 Rogue Agents, cobre os sistemas que agem.

A NIST AI 100-2 E2025 (24 de março de 2025) separa a IA preditiva (evasão, envenenamento, privacidade) da generativa (cadeia de abastecimento, injeção de prompts direta e indireta, agentes), com revisões anuais previstas (taxonomia NIST AI 100-2, IA adversarial).

Classe de ataque do artigo 15.º, n.º 5MITRE ATLASOWASPNIST AI 100-2
Envenenamento de dadostécnicas de envenenamentoLLM05envenenamento
Envenenamento do modelotécnicas de cadeia de abastecimento e de envenenamentoLLM04 e LLM05envenenamento e cadeia de abastecimento
Exemplos adversariais ou evasão do modelotécnicas de evasãoLLM01 para a evasão ao nível do promptevasão
Ataques à confidencialidadetécnicas de exfiltração e de inferênciaLLM02privacidade
Falhas do modelonão é uma classe de ataqueLLM07, LLM10não é uma classe de ataque
Alteração não autorizada da utilização ou dos resultadosenvenenamento da configuração e do contexto de agentes (AML.T0080, AML.T0081)ASI03, ASI06secção sobre agentes

Conjuntos de controlos: onde o framework de segurança de IA se torna prova

É nesta família que um framework de segurança de IA deixa de descrever e passa a produzir prova.

CSA AICM e Databricks DASF

A CSA AI Controls Matrix v1.1 (22 de junho de 2026) tem 247 objetivos de controlo em 18 domínios e cinco pilares, análise de lacunas face à ISO/IEC 42001, ISO 27001, NIST AI RMF, AI 600-1, BSI AIC4 e AI Act, o questionário AI-CAIQ (320 perguntas) e o STAR for AI (nível 1 em autoavaliação, nível 2 em certificação sobre ISO 42001 ou 27001). Serve melhor quem já usa a CCM ou a ISO 27001.

O DASF 3.0 (20 de março de 2026) cobre os agentes: 13 componentes, 97 riscos, 73 controlos, um compêndio com separadores de aplicabilidade e correspondências com ATLAS, OWASP, SP 800-53, CSF, ENISA, ISO/IEC 42001, 27001 e AI Act. Rende mais num lakehouse.

ISO/IEC 42001 e ISO/IEC 27090

No anexo A da ISO/IEC 42001, a segurança está em A.6.2.2 (requisitos), A.6.2.4 (verificação e validação), A.6.2.5 (implantação), A.6.2.6 (operação e monitorização), A.6.2.7 (documentação técnica), A.6.2.8 (registos de eventos), A.7.2 a A.7.6 (dados), A.8.4 (comunicação de incidentes) e A.10.3 (fornecedores). A ISO/IEC 27090:2026 (outubro de 2026, 56 páginas, SC 27) é orientação não certificável que diz a um auditor ISO 27001 ou 42001 o que significa proteger um sistema de IA; a ISO/IEC 27091 (privacidade) está em FDIS desde julho de 2026 (ver a pilha de normas do AI Act).

NIST, ETSI e ENISA

As overlays SP 800-53 do NIST não passaram de um documento de conceito (14 de agosto de 2025) e de um esboço anotado (janeiro de 2026); o Cyber AI Profile, de um projeto preliminar inicial (16 de dezembro de 2025, comentários fechados a 30 de janeiro de 2026). São promissores, mas ainda não citáveis, e o NIST AI RMF não tem controlos. A ETSI EN 304 223 (13 princípios, 72 disposições, cinco fases, derivada do código britânico de 31 de janeiro de 2025) é a única base com disposições numeradas. As diretrizes do NCSC e da CISA (quatro fases) e o guia agêntico da CISA (1 de maio de 2026) são prática de implantação; o FAICP da ENISA, em três camadas, lembra que a cibersegurança geral vem primeiro.

A regra que aplicamos: um conjunto de controlos, com análise de lacunas face à lei, mantido como documento vivo do framework de segurança de IA.

Arquitetura e responsabilidade partilhada: SAIF, CoSAI, AWS, Microsoft

Esta família diz quem detém cada controlo e em que camada ele fica.

O SAIF 2.0 (Google, 6 de outubro de 2025) tem quatro áreas de componentes, 15 riscos, 24 controlos, três princípios para agentes (controladores humanos bem definidos, poderes limitados, ações e planeamento observáveis) e uma autoavaliação que gera um relatório. Os seus dados foram doados à CoSAI em setembro de 2025 e tornaram-se o CoSAI Risk Map.

A CoSAI (OASIS, julho de 2024) publicou princípios para sistemas agênticos seguros desde a conceção (16 de julho de 2025: governados e responsabilizados por humanos; delimitados e resilientes; transparentes e verificáveis), um AI Incident Response Framework (outubro de 2025, playbooks mapeados no ATLAS), o AI Shared Responsibility Framework v1.0 (maio de 2026: cinco camadas, um responsável por componente), o MCP Security v2.0 (setembro de 2026) e o Zero Trust for AI Systems (16 de setembro de 2026).

A AWS tem a Generative AI Security Scoping Matrix (cinco âmbitos, outubro de 2023), a Agentic AI Security Scoping Matrix (quatro âmbitos, novembro de 2025) e o AWS AI Security Framework (maio de 2026: três camadas, três fases, controlos cumulativos). A Microsoft publica um modelo de responsabilidade partilhada para IA e, desde agosto de 2026, um modelo para agentes mapeado no OWASP e no ATLAS.

O nosso veredicto: nenhum destes documentos tem correspondência com o artigo 15.º. Num framework de segurança de IA, servem para repartir controlos entre a sua equipa, o fornecedor de cloud e o do modelo, nunca para reivindicar conformidade.

A lei por detrás do framework de segurança de IA: artigo 15.º, artigo 42.º, n.º 3, e o CRA

O que o artigo 15.º exige

O n.º 1 exige exatidão, solidez e cibersegurança adequadas e consistentes ao longo do ciclo de vida; o n.º 4, resiliência a erros e falhas, redundância técnica e controlo dos ciclos de realimentação; o n.º 5, resistência aos ataques acima. O artigo 13.º, n.º 3, alínea b), subalínea ii), manda indicar nas instruções de utilização o nível contra o qual o sistema foi testado. Para os modelos de finalidade geral com risco sistémico, o artigo 55.º, n.º 1, alíneas a) e d), exige desde 2 de agosto de 2025 testes adversariais documentados e cibersegurança do modelo e da infraestrutura física.

A via do Regulamento de Ciber-Resiliência

O artigo 42.º, n.º 2, presume conforme com a cibersegurança do artigo 15.º o sistema certificado num esquema do Regulamento Cibersegurança (Regulamento (UE) 2019/881), a partir de 2 de agosto de 2026. O Omnibus Digital sobre IA (Regulamento (UE) 2026/1744, em vigor desde 27 de julho de 2026) acrescentou um n.º 3: com o artigo 12.º, n.º 1, do CRA, um sistema de risco elevado que seja produto com elementos digitais considera-se conforme com essa cibersegurança se respeitar os requisitos essenciais do CRA e a declaração de conformidade CRA o demonstrar. Os organismos notificados do AI Act podem verificar também os requisitos do CRA (artigo 12.º, n.º 2). O considerando 77 limita a via à cibersegurança, sem solidez nem exatidão. As obrigações de risco elevado aplicam-se a partir de 2 de dezembro de 2027 (anexo III) e de 2 de agosto de 2028 (anexo I); o CRA aplica-se plenamente a 11 de dezembro de 2027.

Normas, ENISA e incidentes

A EN 18286 (gestão da qualidade), citada em outubro de 2026 pela Decisão de Execução (UE) 2026/2274, é a primeira norma harmonizada do AI Act. A prEN 18282 (especificações de cibersegurança para sistemas de IA, JTC 21 WG 5) esteve em inquérito público de 15 de maio a 14 de julho de 2026; o prazo do pedido de normalização é 28 de fevereiro de 2027. Até ser citada, não dá presunção.

A ENISA juntou ao FAICP a visão sobre a cibersegurança na era da IA de fronteira (7 de julho de 2026, dia do Plano de Ação da UE para a Cibersegurança e a IA: NIS2, CRA e AI Act lidos em conjunto para os modelos de risco sistémico) e o ENISA Threat Landscape 2026 (22 de setembro de 2026), que põe os ataques potenciados por IA entre as ameaças principais.

Por fim, o artigo 73.º: uma violação de segurança só se comunica se for um incidente grave (artigo 3.º, ponto 49), e o responsável pela implantação monitoriza e suspende ao abrigo do artigo 26.º, n.º 5 (ver a comunicação de incidentes). Um framework de segurança de IA que ignore esta fronteira produz alertas, não prova.

Como escolher: uma regra de seleção por papel do operador

A escolha depende do papel que o AI Act atribui à organização, não do setor.

O seu papelÂncora legalCatálogo de ameaçasConjunto de controlosProva que um auditor aceita
Prestador de um sistema de IA de risco elevadoartigos 9.º, 11.º, 13.º, 15.º e 43.ºATLAS, OWASP, NIST AI 100-2anexo A da ISO/IEC 42001 ou CSA AICM; prEN 18282 quando harmonizadasecção de cibersegurança do anexo IV, relatórios de testes e de red teaming, métricas nas instruções de utilização, declaração UE de conformidade
Prestador de um produto com elementos digitaisartigo 12.º do CRA, artigo 42.º, n.º 3, do AI Actos mesmosrequisitos essenciais do anexo I do CRAdeclaração de conformidade CRA que indique o nível do artigo 15.º
Responsável pela implantaçãoartigos 26.º e 73.ºOWASP Agentic Top 10 para agentesAI-CAIQ ao fornecedor, matriz de responsabilidade partilhada (CoSAI, AWS ou Microsoft), monitorizaçãoquestionário do fornecedor, registo das instruções de utilização, registo de monitorização, decisão de suspensão
Prestador de GPAI com risco sistémicoartigo 55.º, n.º 1, alíneas a) e d)ATLAS, avaliações de fronteiraCoSAI, a visão da ENISA, o código de práticastestes adversariais documentados, medidas de cibersegurança para o modelo e a infraestrutura
Empresa que constrói sobre uma plataforma cloudartigo 15.º ou 26.º, consoante o papelOWASP Top 10 para LLMo framework da plataforma (SAIF, DASF, AWS, Microsoft) como camada de implementação, AICM para a alegação de conformidadecorrespondência de controlos com análise de lacunas

Três regras completam a tabela. Um conjunto de controlos, um catálogo de ameaças e um modelo de responsabilidade, não três de cada. Cada um mapeado uma única vez contra as seis classes do artigo 15.º: esse mapeamento é a espinha dorsal do seu framework de segurança de IA. E o mapeamento sob controlo de alterações: uma nova versão, um novo modelo ou um novo agente reabre-o, e com o ATLAS mensal a revisão vai para o calendário.

Em Portugal, a ANACOM foi anunciada a 19 de setembro de 2025 como autoridade de fiscalização do mercado. O Centro Nacional de Cibersegurança e o Quadro Nacional de Referência para a Cibersegurança continuam a ser a base de cibersegurança geral, e a CNPD trata dos dados pessoais usados no treino e na inferência. Num sistema de IA de risco elevado, a avaliação da conformidade pede as duas camadas.

Do framework de segurança de IA à prova de auditoria

Um auditor não aceita um framework, aceita artefactos datados. Pedimos sete antes de dar um framework de segurança de IA por operacional.

  1. <b>A correspondência de controlos com análise de lacunas face ao artigo 15.º.</b> A AICM e o DASF trazem uma. Adapte-a em vez de a reescrever.
  2. <b>O modelo de ameaças de cada sistema</b> contra as seis classes do artigo 15.º. Inclui as técnicas ATLAS e os riscos OWASP que de facto se aplicam.
  3. <b>Os relatórios de testes adversariais e de </b><b>red teaming</b>, datados. Repetem-se após cada alteração substancial.
  4. <b>A secção de cibersegurança do anexo IV e as métricas das instruções de utilização.</b> Os números têm de coincidir com os testes.
  5. <b>O questionário AI-CAIQ e a repartição de responsabilidades.</b> Sem eles, os controlos herdados do fornecedor ficam por demonstrar.
  6. <b>Os playbooks de incidente e o registo das decisões do artigo 73.º.</b> Cada violação avaliada leva a razão da decisão.
  7. <b>O relatório de risco SAIF ou DASF como documento de trabalho.</b> Orienta a equipa, nunca serve de alegação de conformidade.

Estes registos vivem melhor numa plataforma de governação: primeiro o inventário dos sistemas de IA, depois um conjunto de controlos por sistema, depois a prova datada. A monitorização da conformidade assinala o que caducou, a auditabilidade guarda o rasto e a AI-BOM documenta a cadeia de abastecimento.

Perguntas frequentes

<b>O que é um framework de segurança de IA?</b>

Um conjunto nomeado e versionado de ameaças, controlos ou responsabilidades contra o qual um terceiro pode verificar a proteção de um sistema de IA. Há quatro famílias: a lei (AI Act, CRA), os catálogos de ameaças (ATLAS, OWASP, NIST AI 100-2), os conjuntos de controlos (AICM, DASF, ISO/IEC 42001, ISO/IEC 27090, ETSI EN 304 223) e os modelos de responsabilidade (SAIF, CoSAI, AWS, Microsoft). Escolha um por família.

<b>Que framework de segurança de IA exige o AI Act?</b>

Nenhum pelo nome. O AI Act exige resultados: exatidão, solidez e cibersegurança adequadas e resistência às classes de ataque do artigo 15.º, n.º 5. A presunção virá das normas harmonizadas, e a prEN 18282 ainda não está citada. Até lá, há duas vias: um certificado do Regulamento Cibersegurança (artigo 42.º, n.º 2) ou, para produtos com elementos digitais, a declaração CRA (artigo 42.º, n.º 3). Qualquer framework de segurança de IA tem de ser mapeado contra o artigo 15.º.

<b>A ISO/IEC 27090 é uma norma certificável?</b>

Não. A ISO/IEC 27090:2026 (outubro de 2026, ISO/IEC JTC 1/SC 27, 56 páginas) é orientação sobre ameaças e comprometimentos de sistemas de IA, sem certificado próprio. Vale nas auditorias que já existem: dá a um auditor ISO/IEC 27001 ou 42001 uma referência do que significa proteger um sistema de IA e sustenta os controlos do anexo A. O certificado continua a ser o da ISO/IEC 42001 ou o da 27001.

<b>NIST AI RMF ou NIST Cyber AI Profile: qual é o framework de segurança?</b>

Por agora, nenhum dos dois dá controlos. O AI RMF 1.0 (janeiro de 2023) e o NIST AI 600-1 (julho de 2024) são frameworks de risco com quatro funções e a característica «secure and resilient». O Cyber AI Profile (NIST IR 8596), perfil comunitário do NIST CSF 2.0, só existe como projeto preliminar inicial de 16 de dezembro de 2025. Para controlos citáveis, recomendamos a AICM ou o DASF, que já mapeiam o AI RMF.

<b>Preciso de um framework se o meu fornecedor executa o modelo?</b>

Sim, mas de outro tipo. O responsável pela implantação segue as instruções de utilização, monitoriza o sistema e suspende-o perante um risco (artigo 26.º); o artigo 73.º cobre os incidentes graves. O seu framework de segurança de IA é o lado do cliente: AI-CAIQ ao fornecedor, matriz de responsabilidade partilhada (CoSAI, AWS ou Microsoft), OWASP Agentic Top 10 para agentes e registo de monitorização. Os controlos do fornecedor documentam-se, não se presumem.

<b>Qual é a diferença entre um framework de segurança de IA e o AI security posture management?</b>

O framework define o que deve ser verdade: ameaças a testar, controlos a aplicar, responsáveis. O AI security posture management (AI-SPM) é uma categoria de ferramenta que descobre modelos, agentes e dados em uso, deteta configurações erradas e recolhe sinais. A ferramenta alimenta a prova, não a define: um painel sem correspondência com o artigo 15.º mostra atividade, não conformidade. Primeiro o framework, depois a ferramenta.

Conclusão

A lei decide o que provar, o catálogo de ameaças o que testar, o conjunto de controlos o que mostrar. Um framework de segurança de IA útil em 2026 não é o mais recente nem o do seu fornecedor de cloud: é um referencial por família, mapeado uma vez contra as seis classes do artigo 15.º e mantido sob controlo de alterações. Outubro de 2026 trouxe a ISO/IEC 27090, a primeira norma harmonizada e o fim do inquérito da prEN 18282; até dezembro de 2027 há tempo, mas não há folga. Comece pelo inventário, escolha o conjunto de controlos e ligue cada prova ao controlo que demonstra. A plataforma de governação de IA da AI Sigil foi desenhada para manter tudo num único registo.

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